segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sociedade civil se mobiliza contra transferência de presos para CG

Reportagem publicada há pouco sobre a mobilização da sociedade campo-grandense contra a transformação de nossa cidade em um depósito de presos.

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Três ações foram definidas há pouco para fazer frente à política de “prizionização” imposta sobre Campo Grande, que culminou neste final de semana com a transferência de dez traficantes de alta periculosidade para a Penitenciária Federal de Campo Grande. Em reunião entre o prefeito Nelsinho Trad, representantes da Assembléia Legislativa, da Câmara Municipal, da bancada federal, do Ministério Público, da OAB, igreja católica e evangélica e de diversas entidades da sociedade civil organizada, estabeleceu-se uma base estratégica para reverter as transferências ou, no mínimo, impedir que situações do gênero voltem a ocorrer.

“A primeira ação é um contato com o juiz federal responsável pela anuência das transferências, vamos mostrar a ele a indignação da sociedade civil organizada e da classe política de nossa cidade e estado. Depois, vamos fazer uma nota a ser publicada nos grandes jornais e veículos de comunicação de nossa cidade. Finalmente, solicitaremos audiência, nesta quarta-feira, ao ministro da justiça e a autoridades do sistema penitenciário federal para que possamos reverter esta situação”, disse o prefeito.

Atualmente, Penitenciária Federal de Campo Grande abriga cerca de 150 presos de alta periculosidade provenientes de outros estados. A preocupação é que a presença destes detentos em Campo Grande possa contribuir para o aumento dos índices de violência na capital e no estado já que sua presença na cidade pode atrair comparsas e células criminosas.

O prefeito se disse indignado com a decisão da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro e considerou a transferência uma “falta de respeito para com a população campo-grandense”.

Na próxima quarta-feira Nelsinho vai a Brasília, onde se reunirá com o ministro da Justiça, Tarso Genro, e com representantes do Departamento Nacional do Sistema Penitenciário (Depen), a quem transmitirá a insatisfação da população de Campo Grande em relação às transferências.

Veja a seguir a íntegra da nota de repúdio.

NOTA DE REPÚDIO

Na data de 24 de outubro de 2009, a cidade de campo Grande recebeu do Estado do Rio de Janeiro, 10 (dez) chefes de facções do crime organizado do País.
Tal proceder, segundo a Secretaria de Segurança Pública daquele Estado, se deu na tentativa de isolar alguns dos principais líderes do crime organizado, bem como evitar que tenham contato com outros criminosos que se encontram nos morros cariocas, planejando fugas ou novas invasões.
Entretanto, é importante frisar que, muito embora se admita a necessidade de união de forças a fim de garantir a Segurança Pública da população, a verdade é que o Estado de Mato Grosso do Sul e, em especial, o Município de Campo Grande já têm cumprido com seu dever constitucional, exercendo a guarda e fiscalização de seus condenados e de diversos outros detentos, ao tempo em que garante, também, a segurança de toda a sua população.
Caberia então, aos demais governantes, o mesmo proceder.
Transformar Campo Grande em albergue de periculosos criminosos, de chofre e quando ausentes as políticas sociais adequadas não nos parece, data venia, ser a melhor solução.
Cultural e socialmente, não estamos preparados para a transformação abrupta de nosso ritmo de vida.
Isso porque Campo Grande detém histórico de cidade pacata, de gente hospitaleira e de hábitos provincianos, onde o ritmo de vida de sua população não se coaduna com a presença de criminosos tais quais os transferidos e todos os asseclas que orbitam ao seu derredor.
Com todo respeito, ao contrário do que se apregoou, esta Capital não está à disposição para servir de porto seguro a bandidos.
Nesse sentir, a permanência desses criminosos em nosso solo não encerra a vontade de nossos Governantes, das demais Autoridades Constituídas, da Sociedade Civil Organizada e tampouco dos campo-grandenses e, reunidos na presente data, no Gabinete do Prefeito, manifestamos nosso veemente repúdio à permanência desses “foras da Lei” em terras sul-mato-grossenses.
Estamos à disposição, sim, da busca de soluções conjuntas que melhor atendam aos anseios de nossa população, pois não podemos admitir pacatamente que nossa cidade se torne depositório de bandidos de alta periculosidade.

Campo Grande,MS, 26 de outubro de 2009.

Nelson Trad Filho – Prefeito Municipal de Campo Grande
Miguel Vieira da Silva – Procurador Geral de Justiça/MS
Antônio Lacerda – Representante da Seccional da OAB/MS
Valdecir Balbino da Silva – Presidente da Associação dos Procuradores do Município
Padre Paulo Roberto de Oliveira – Arquidiocese de Campo Grande
Youssif Domingos – Deputado Estadual
Murilo Zauith – Vice-Governador de Mato Grosso do Sul
Waldenir Moka – Deputado Federal
Antônio Cruz – Deputado Federal
Vladimir Rossi Lourenço – Ordem dos Advogados do Brasil/MS
Rosiane Modesto de Oliveira– Vereadora de Campo Grande
Cristóvão Silveira – Vereador de Campo Grande
Gustavo Giacchini – Ordem dos Advogados do Brasil/MS
Carlos Augusto Borges – Vereador de Campo Grande
Patrícia Souza de Oliveira – UCAF
Vanderlei da Silva Matos – Vereador de Campo Grande
Lídio Nogueira Lopes – Vereador de Campo Grande
Simplicia A. Alves de Arruda – 1ª Vice-Presidente da CDL
Mário César Oliveira da Fonseca – Vereador de Campo Grande
Ronaldo Leite Batista – Presidente da Aliança Evangélica
Herculano Borges Daniel – Vereador de Campo Grande
Marcio Fernandes – Deputado Estadual
Flávio César Mendes de Oliveira – Vereador de Campo Grande
José Airton Saraiva – Vereador de Campo Grande
Edil Afonso Albuquerque – Vice-Prefeito de Campo Grande
Ernesto Borges Neto – Procurador-Geral do Município de Campo Grande

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